sábado, 2 de maio de 2009

Fórum DQDF - Tema: Tabagismo [30 de abril de 2009]

Na tarde do dia 30/4, no Auditório da Imprensa Nacional, foi realizada mais uma atividade do FÓRUM DQDF, tendo o TABAGISMO como principal enfoque dado neste encontro. A escolha deste tema justificou-se por sua relevância e impacto na saúde da população em geral. Para a realização de mais este evento, contou-se com o imprescindível apoio do Instituto Agilitá e da Imprensa Nacional, que não mediram esforços para realização de mais este importante evento. A abertura do encontro foi realizada pelo Sr. Carlos Cezar Soares, coordenador do Fórum, que fez uma retrospectiva das razões que motivaram a criação desta instância não governamental, reforçando que um de seus objetivos é estabelecer um canal de atualização e reflexão sobre a prática, a vivência e o cotidiano das diferentes categorias profissionais que atuam nesta área, contemplando ainda a participação de familiares e dependentes químicos. Para organização deste encontri, os coordenadores do Fórum contaram com a determinante colaboração do Núcleo de Prevenção da Gerência de Câncer do GDF, representados naquela ocasião pelo médico pneumologista Dr. Celso Rodrigues da Silva e a assistente social Sra. Ana Lúcia Corrêa e Castro, que colaboraram na indicação dos palestrantes e conteúdo abordado. O segundo momento do encontro ficou sob a responsabilidade do Dr. Celso que, em substituição a Sra. Paula Johns, fez um breve histórico do panorama mundial e nacional dos avanços para a efetivação da Convenção Quadro no Brasil, contemplando os desafios a serem alcançados para implementação deste importante compromisso internacional. Em continuidade, Dr. Celso fez um relato do que vem sendo ofertado à população, apresentando inclusive os números que abrangem todos os esforços direcionados à prevenção e assistência ao tabagista no DF, inclusive o que vem sendo realizado em relação a capacitação dos profissionais que atuam nesta área. Logo após o intervalo, em continuidade a programação do evento, foi o momento de ouvir o relato de três instituições convidadas a expor suas experiências em Programas de Cessação do Tabagismo. A primeira a relatar sua experiência foi a médica pneumologista Dra. Christiane Aires Teixeira, representando o Programa de Gestão Saúde AMIL, onde os 4 pilares - Saber, Prever, Prevenir e Tratar - norteiam o Programa. Apresentou ainda, de forma criteriosa dados do Programa que está sob sua coordenação. Como segunda palestrante deste painel, a assistente social da Policlínica da Polícia Civil do DF, Sra. Sônia América Marques Veloso, expôs o trabalho realizado por aquele serviço, a partir de um levantamento sobre o número de tabagistas na PCDF, oferecendo aos tabagistas identificados uma ampla assistência multiprofissional. Para finalizar este painel, a Sra. Lucivane Dayrell L. Nishimura, assistente social do Posto de Saúde nº 8 - localizado nas entre-quadras 514/515 Sul - apresentou dados e a forma de organização do Programa naquele Centro de Saúde, apresentando ainda com propriedade todos os detalhes e recursos utilizados durante e após o processo de tratamento. O ponto máximo deste evento foi a justa homenagem prestada ao Dr. Celso Rodrigues, por tudo o que ele representa e realiza a favor da conscientização dos males causados pelo tabagismo. A homengem, feita pelos participantes do Fórum, foi extensiva a toda equipe do Dr Celso, os quais não medem esforços para socializar informação, conhecimento e assistência à população brasiliense.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Notícia: UMA LEI ERRADA, por Ferreira Gullar

Folha de São Paulo [12abr2009]
A CAMPANHA contra a internação de doentes mentais foi inspirada por um médico italiano de Bolonha. Lá resultou num desastre e, mesmo assim, insistiu-se em repeti-la aqui e o resultado foi exatamente o mesmo.Isso começou por causa do uso intensivo de drogas a partir dos anos 70. Veio no bojo de uma rebelião contra a ordem social, que era definida como sinônimo de cerceamento da liberdade individual, repressão "burguesa" para defender os valores do capitalismo.A classe média, em geral, sempre aberta a ideias "avançadas" ou "libertárias", quase nunca se detém para examinar as questões, pesar os argumentos, confrontá-los com a realidade. Não, adere sem refletir.Havia, naquela época, um deputado petista que aderiu à proposta, passou a defendê-la e apresentou um projeto de lei no Congresso. Certa vez, declarou a um jornal que "as famílias dos doentes mentais os internavam para se livrarem deles". E eu, que lidava com o problema de dois filhos nesse estado, disse a mim mesmo: "Esse sujeito é um cretino. Não sabe o que é conviver com pessoas esquizofrênicas, que muitas vezes ameaçam se matar ou matar alguém. Não imagina o quanto dói a um pai ter que internar um filho, para salvá-lo e salvar a família. Esse idiota tem a audácia de fingir que ama mais a meus filhos do que eu".Esse tipo de campanha é uma forma de demagogia, como outra qualquer: funda-se em dados falsos ou falsificados e muitas vezes no desconhecimento do problema que dizem tentar resolver. No caso das internações, lançavam mão da palavra "manicômio", já então fora de uso e que por si só carrega conotações negativas, numa época em que aquele tipo hospital não existia mais. Digo isso porque estive em muitos hospitais psiquiátricos, públicos e particulares, mas em nenhum deles havia cárceres ou "solitárias" para segregar o "doente furioso". Mas, para o êxito da campanha, era necessário levar a opinião pública a crer que a internação equivalia a jogar o doente num inferno.Até descobrirem os remédios psiquiátricos, que controlam a ansiedade e evitam o delírio, médicos e enfermeiros, de fato, não sabiam como lidar com um doente mental em surto, fora de controle. Por isso o metiam em camisas de força ou o punham numa cela com grades até que se acalmasse. Outro procedimento era o choque elétrico, que surtia o efeito imediato de interromper o surto esquizofrênico, mas com consequências imprevisíveis para sua integridade mental. Com o tempo, porém, descobriu-se um modo de limitar a intensidade do choque elétrico e apenas usá-lo em casos extremos. Já os remédios neuroléticos não apresentam qualquer inconveniente e, aplicados na dosagem certa, possibilitam ao doente manter-se em estado normal. Graças a essa medicação, as clínicas psiquiátricas perderam o caráter carcerário para se tornarem semelhantes a clínicas de repouso. A maioria das clínicas psiquiátricas particulares de hoje tem salas de jogos, de cinema, teatro, piscina e campo de esportes. Já os hospitais públicos, até bem pouco, se não dispunham do mesmo conforto, também ofereciam ao internado divertimento e lazer, além de ateliês para pintar, desenhar ou ocupar-se com trabalhos manuais.Com os remédios à base de amplictil, como Haldol, o paciente não necessita de internações prolongadas. Em geral, a internação se torna necessária porque, em casa, por diversos motivos, o doente às vezes se nega a medicar-se, entra em surto e se torna uma ameaça ou um tormento para a família. Levado para a clínica e medicado, vai aos poucos recuperando o equilíbrio até estar em condições que lhe permitem voltar para o convívio familiar. No caso das famílias mais pobres, isso não é tão simples, já que saem todos para trabalhar e o doente fica sozinho em casa. Em alguns casos, deixa de tomar o remédio e volta ao estado delirante. Não há alternativa senão interná-lo.Pois bem, aquela campanha, que visava salvar os doentes de "repressão burguesa", resultou numa lei que praticamente acabou com os hospitais psiquiátricos, mantidos pelo governo. Em seu lugar, instituiu-se o tratamento ambulatorial (hospital-dia), que só resulta para os casos menos graves, enquanto os mais graves, que necessitam de internação, não têm quem os atenda. As famílias de posses continuam a por seus doentes em clínicas particulares, enquanto as pobres não têm onde interná-los. Os doentes terminam nas ruas como mendigos, dormindo sob viadutos.É hora de revogar essa lei idiota que provocou tamanho desastre.